Governadora abre a I Feira Nordestina da Agricultura Familiar

Muita alegria, saberes e sabores marcaram a abertura da “Grande Festa da Colheita” nesta quarta-feira (15) à noite, no Centro de Convenções de Natal, em Ponta Negra. Com a presença das governadoras do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e do Piauí, Regina Souza, e da vice-governadora de Sergipe, Eliane Aquino, a solenidade reuniu expositores, representantes dos movimentos sociais, de associações e cooperativas, e gestores públicos dos nove estados do Nordeste para celebrar a “festa que brota do chão”, como afirmou o músico e ator Igor Fortunato em sua intervenção cultural.

“Muito feliz em celebrar um momento tão emblemático para o nosso Estado. Com muito orgulho, eu posso afirmar que o Rio Grande do Norte é referência em políticas públicas voltadas para a agricultura familiar. Nós temos clareza do potencial que ela tem no contexto da segurança alimentar, trazendo alimentação saudável e, ao mesmo tempo, o apoio ao homem do campo, ao agricultor e à agricultora, para que eles possam plantar e produzir cada vez mais”, afirmou a chefe do poder executivo no Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, ao abrir a primeira edição da Feira Nordestina de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fenafes).

Reunindo na capital potiguar mais de 1.200 agricultores do Nordeste e 200 toneladas de alimentos, que serão comercializados desta quarta até domingo (19), a I Fenafes tem o grande objetivo de ser espaço de socialização de políticas públicas. No total, cerca de 12 mil participantes são esperados no Centro de Convenções de Natal nos cinco dias de evento.

A governadora do RN lembrou que a realização do evento integra o Programa de Alimentos Saudáveis do Nordeste – PAS/NE, principal bandeira dos estados que fazem o Consórcio Nordeste, e ressaltou seu objetivo de impulsionar potenciais econômicos em comum, bem como as boas práticas de gestão e planejamento. “E é exatamente isso que fazemos aqui nesta Feira”, avaliou Fátima Bezerra.

Reafirmando a importância do segmento para a segurança alimentar, Fátima destacou o seu papel estratégico para tirar o país da crise alimentar que recolocou o Brasil no Mapa da Fome, um cenário social que já havia sido vencido em 2013, segundo a Organização das Nações Unidas. “Somente a agricultura familiar pode acabar com a fome que voltou a assombrar as famílias brasileiras”, ressaltou.

O Estado criou e está sendo exemplo regional na execução do Programa Estadual de Compras Governamentais. Ele estabelece que, pelo menos, 30% das compras governamentais sejam feitas à agricultura familiar. Em três anos foram investidos cerca de R$ 25 milhões na compra direta a 1.200 agricultores e agricultoras autônomos ou associados e cooperados. Mais de 260 mil famílias em todo o estado já receberam cestas de alimentos contendo produtos da agricultura familiar através desta iniciativa criada a partir da Lei Estadual nº 10.536 /2019 apresentada pela deputada Isolda Dantas.

Para a governadora do Estado do Piauí, Regina Souza, “o Consórcio Nordeste foi uma grande sacada. Os estados se juntarem para tratar das suas identidades, das suas diferenças, das suas dificuldades. Isso foi muito bom. E a Feira vem mostrar que o Nordeste não é apenas um cantinho do país, mas o Brasil pujante, valente”.

Da mesma forma, a vice-governadora de Sergipe, Eliane Aquino, avalia que o evento mostra a força dos agricultores familiares “que têm feito chegar às nossas mesas as frutas e os sabores. Muito obrigada pela força e resiliência de vocês nunca terem desistido, principalmente no momento que o Brasil está vivenciando. Quero agradecer, também, à essa companheira que tem feito uma revolução tão linda e forte no Rio Grande do Norte, que é a nossa companheira Fátima Bezerra. O Brasil é uma grande potência”.

Josana Lima, coordenadora nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Condraf), considerou que “a feira é a prova de que homens e mulheres do campo resistem ao retrocesso, produzem e demonstram que a agricultura contribui para o desenvolvimento dos estados e do país. A presidente da Unicafes – União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária, Fátima Torres, tem avaliação semelhante, e pontuou: “construímos junto com Governo do Estado esta feira que é grande oportunidade para fortalecer o setor”.

Soluções para saúde

A Feira terá lugar também para o debate e estímulo à produção de plantas medicinais e fitoterapia na perspectiva agroecológica em prol de territórios saudáveis e sustentáveis. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), vai realizar a quinta edição da Feira de Soluções para a Saúde.

“O nosso trabalho tem como referência o programa de territórios saudáveis sustentáveis. Estamos trabalhando estratégias para a agenda 2030, que tem a inovação do campo social como um dos eixos fundamentais”, explica Nísia Trindade, presidenta da Fiocruz;

Na programação, diversas oficinas e um painel que visam estimular o diálogo e debater soluções em saúde para melhorar as condições de vida das populações que vivem no campo, nas florestas e nas águas.

Sobre a Feira

A I FENAFES é uma co-realização entre Governo do Estado Rio Grande do Norte e a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do RN – UNICAFES, voltada ao fomento e à valorização da agricultura familiar nordestina.

A iniciativa partiu da Câmara Temática da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste, coordenada pela governadora Fátima Bezerra. O objetivo principal é fortalecer iniciativas de integração de políticas públicas em torno do Programa de Alimentos Saudáveis do Nordeste, principal bandeira do Consórcio.

O evento está sendo executado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar – Sedraf, em parceria com Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater-RN, Fundação José Augusto, e conta com financiamento do projeto Governo Cidadão, via acordo de empréstimo com o Banco Mundial e apoio de outros entes parceiros.

O Rio Grande do Norte investiu no evento R$ 640 mil, obtido por meio de empréstimo junto ao Banco Mundial, e conta com a participação de 150 cooperativas e associações, e 500 expositores.

A expectativa é que durante os cinco dias de evento, que segue até domingo (19), seja possível “colher e desenvolver para o mercado aquilo que o Nordeste está produzindo no tripé: crédito, assistência técnica e comercialização”, explica De Assis Diniz, ex-presidente da Câmara Técnica da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste e coordenador do Fórum Regional dos Secretários da Agricultura Familiar do Nordeste e Minas Gerais, que idealizou o tema para a I Fenafes.

Atrações Culturais e Festival Gastronômico

Mais do que espaço de comércio e empreendimento, a feira tem ainda o caráter de reafirmação da identidade cultural nordestina. E isso por meio de saberes e sabores que caracterizam o seu povo nordestino, que constam da programação, como o “Sabores da Terra” e o Festival Gastronômico.

Renata Aguiar, representando o Goodala Burger, uma empresa local, localizada em Ponta Negra comemorou a presença no evento. “Tudo vegano, com uma ideologia muito massa, inserido num cenário cultural daqui de Natal, e está participando da Feira é muito importante pra gente”.

Apesar da cultura do comer hambúrguer não ser brasileira, um levantamento da plataforma de entregas iFood apontou o hambúrguer como a comida mais pedida pelos brasileiros em 2021. E se a Feira traz o conceito de alimentação saudável, o estabelecimento é o único do tipo em Natal que trabalha com ingredientes totalmente livres de origem animal. A proposta é oferecer uma boa comida e experiência. No evento, a Hamburgueria Artesanal Vegana está oferecendo Hot-Dog vegano e outras delícias veganas.

Há ainda shows de artistas de destaque regional e nacional que tem atraído a população potiguar e turistas.

Ademilde, de Taubaté, São Paulo, está conhecendo a capital potiguar e foi ao primeiro dia de evento. “Estamos curtindo aqui o Rio Grande do Norte e soubemos da Feira, nos interessamos pelas atrações culturais e viemos mais cedo para conhecer também o que está sendo exposto e comercializado aqui”, disse.

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