Coletivo CIDA apresenta próxima semana no TAM dança-tragédia inspirada em fatos reais

Foto: Brunno Martins

Seis diferentes indivíduos vivem há sete anos encarcerados em um porão. O porão da casa conhecida como Hospício da Praia Vermelha. É neste cenário que o Coletivo CIDA (RN) ambienta o novo espetáculo Insanos e Beija-flores a Dois Metros do Chão, que será apresentado no Teatro Alberto Maranhão de 6 a 9 de abril de forma gratuita.  Lá eles exibem juntos a dança mais dolorosa de suas vidas. Quase como um ritual de despedida ou talvez de reencontro.

Insanos e Beija-flores a Dois Metros do Chão faz parte de uma criação cênica sequenciada assinada pelo coreógrafo René Loui, que conta com interlocução dramatúrgica de Jussara Belchior (SC), pesquisadora da dança. O projeto foi contemplado no Prêmio Funarte de Estímulo ao Teatro – 2022 e traz no elenco nomes que são referências para as artes cênicas norte-rio-grandense: Ana Cláudia Viana, Jânia Santos, Marconi Araújo, Pablo Vieira, René Loui e Rozeane Oliveira.

“As questões abordadas em ‘Insanos e Beija-Flores’ colocam em debate o pensamento eugênico, o preconceito, os limites entre a insanidade e arte na sociedade. Falamos também sobre o silêncio instaurado sem qualquer humanidade que inviabiliza, violenta e extermina a vida de diferentes indivíduos”, declaram Arthur Moura (produtor do CIDA) e  René Loui (coreógrafo e intérprete).

Inspiração em Bispo do Rosário

Livremente inspirada na vida e obra de Arthur Bispo do Rosário, mais conhecido como Bispo do Rosário, o espetáculo conta as perspectivas desses seis diferentes indivíduos que há anos convivem e no porão reinventam todas as coisas da Terra. Cada um deles, uma história.

Nascido em Japaratuba, no estado de Sergipe, em 1909, Bispo do Rosário carregava todos os estigmas de marginalização social, ainda vigentes em nossa sociedade. Homem negro, pobre, viveu asilado em um manicômio por 50 anos.

Sua obra propunha a ressignificação do universo para ser apresentado no dia do juízo final, e não era visto por ele como arte, era missão. Ao longo de 80 anos ele produziu peças com diferentes técnicas, com destaque para a costura e bordado em formas de fardões e estandartes.

Teve seu trabalho apresentado no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro e recebeu vários convites para mostras, o que infelizmente nunca chegou a ser concretizado. Sua missão chegou ao fim no dia 5 de julho de 1989, mas segue sendo preservada no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.

“Trazer para dançar conosco em ‘Insanos e beija-flores’ a figura de Bispo do Rosário é expor mais um pedaço podre da nossa história que a arte (sempre ela) tentou salvar. É urgente e importante evocar as existências daqueles que se foram porque elas precisam reverberar até esgarçar e nos mostrar o erro para assim apontar novos caminhos. Me parece que a trilogia não encerra aqui. É uma abertura, uma janela aberta… Os beija-flores desejam cada vez mais o céu”, comenta o intérprete Pablo Vieira.

Apresentação para escolas e instituições de ensino

Com duração aproximada de 60 minutos e classificação indicativa de 14 anos, o espetáculo será apresentado de forma exclusiva para escolas, instituições de ensino, grupos e companhias locais de modo gratuito e acessível, com tradução para Língua Brasileira de Sinais e Audiodescrição, nos dias 06, 07, 08 e 09 de abril, sempre às 10h da manhã, no Teatro Alberto Maranhão. 

Mais de 20 instituições já realizaram o cadastro e ainda há disponibilidade de lugares para essa modalidade de apresentações . Cadastro pode ser realizado através do formulário eletrônico disponível no perfil do CIDA no Instagram (@coletivocida) ou pelo link: https://forms.gle/nG8WKi1nRkboMwAT9


Ingressos gratuitos 

Os interessados em assistir o espetáculo poderão retirar o ingresso no local 1 hora antes das apresentações, que acontecem às 20h para o público geral. 

Esta obra  é uma iniciativa do Coletivo CIDA  contemplada pelo Prêmio Funarte de Estímulo ao Teatro – 2022 que conta com recursos do Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

Sobre o CIDA

Coletivo Independente Dependente de Artistas (CIDA ) é um núcleo artístico de dança contemporânea e performance, fundado no ano de 2016 por artistas emergentes, pluriétnicos, com e sem deficiências, oriundos das mais diversas regiões do Brasil e radicados na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, com objetivo da profissionalização e subsistência através da dança.

Todas as informações sobre o CIDA podem ser acompanhadas através dos canais de comunicação do coletivo. Acesse: www.coletivocida.com.br ou acompanhe o Coletivo no Instagram em: @coletivocida.
 

SERVIÇO

Coletivo CIDA apresenta Insanos e Beija-flores a Dois metros do Chão
Local: Teatro Alberto Maranhão (TAM) 
Dias: 6 a 9 de abril
Horário: 10h para escolas e instituições cadastradas/ 20h para o público em geral
Acessibilidade: Tradução para Língua Brasileira de Sinais e Audiodescrição
Duração aproximada: 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

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